sexta-feira, 24 de agosto de 2018

QUANDO A IMAGEM EXPLICA TUDO


Fonte: Arquivo pessoal
Nascer do sol, próximo a morrinhos (24/08/2018 - 6:31h)

A natureza nos revela a cada dia o quanto nossa vida é valiosa. E, também, o quanto podemos nos confundir com o que acontece a nossa volta. Somos, diante da correria de nossos dias, capazes das mais belas ações e, ao mesmo tempo, cegos e ignorantes diante das diferenças. A imagem acima revela um lindo nascer do sol, mas se eu escrevesse aqui que é um por do sol, seria fácil acreditar, pois são momentos que se confundem. Assim como é muito fácil sermos enganados por nossos olhos cansados e carregados de preconceito. A cada dia, deveríamos nos apresentar a todos novamente, pois como a  beleza do nascer do sol, a cada dia devemos ser uma nova pessoa, quem te conheceu ontem, não deveria te reconhecer hoje, pois nosso desenvolvimento, crescimento e aprendizagem deve ser diário. Claro que isso é impossível. É evidente também que este "crescimento" é praticamente imperceptível para os 'olhos de fora'. Mas nós deveríamos saber e transformar isso em práticas diárias, dando sentido a existência e razão de ser de nossos esforços constantes. Quando somos agraciados com a dádiva da vida, viramos devedores eternos das bençãos Divina. Então sorria sempre, e aproveite a melhor sexta-feira de sua vida.

Fonte: Arquivo pessoal
Nascer do sol, próximo a morrinhos (23/08/2018 - 6:29h)

segunda-feira, 23 de julho de 2018

FAZER A DIFERENÇA



Como fazer a diferença? A resposta é simples – Fazendo diferente! E, para que isso seja possível é importante eliminar todo e qualquer tipo de julgamento, pois cada pessoa tem sua própria história e caminhos. Este fator é essencial para abrir-se ao outro e compreender que nem todo mundo tem condições que favorecem boas escolhas na vida e bons resultados.

Por isso, quando podemos oferecer o nosso melhor ao outro, também estamos dando a ele a oportunidade de criar para si, novas chances, mudar e evoluir como ser humano. O mesmo ocorre com o indivíduo que busca fazer a diferença na vida das pessoas, uma vez que deste modo, ele cria uma corrente do bem, que pode inspirar a motivar outras pessoas a fazerem o mesmo.

Quanto mais doamos, mais recebemos conhecimento, experiência, amor e temos chances de crescer. Seja na empresa, ao ajudar um colega, mostrar respeito por suas ideias, na vida familiar, oferecendo uma boa formação aos filhos, ou em sociedade, cuidando do bem público, tudo contribui.

Além disso, para melhorar o mundo é muito importante que cada um de nós também esteja atento ao seu próprio desenvolvimento. Para isso, é fundamental buscar eliminar, progressivamente, comportamentos e atitudes nocivas, pensamentos limitantes e focar em viver e propagar emoções e sentimentos positivos.

Aproveite e comece agora mesmo a enxergar a infinidade de possibilidades de fazer a diferença. Todos os dias a vida nos convida a agir. Receba o convite, aproveite as oportunidades, ofereça o seu melhor a quem tem menos, e experimente aprender com o outro também. Permita-se e alimente a corrente do bem! (Texto adaptado)

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Os dois menores e MELHORES contos de fadas do mundo

1. Conto de fadas para mulheres do séc. 21
Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz:
- Você quer casar comigo?
Ele respondeu:
- NÃO!
E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras, conheceu muitos
outros rapazes, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro
carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe
faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre que estava com vontade e
ninguém mandava nela.
O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou
sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma MULHER.

2. Conto de fadas para mulheres do séc. 21
Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e
cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como
o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades
ecológicas, se deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: -Linda princesa, eu já fui um
príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu
transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me
transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar
feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu
poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os
nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...
E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée,
acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a
princesa sorria e pensava: 
-Nem mortaaaa!


Por Luis Fernando Verissimo

quinta-feira, 28 de junho de 2018

É PRECISO APRENDER SEMPRE, POIS ENSINAR É UM DESAFIO

"Às vezes precisamos usar métodos diferentes para alcançar certos resultados.Veja o 
exemplo abaixo e perceba a sabedoria empregada por um simples zelador.

Marcas de batom no banheiro...

Numa escola pública estava ocorrendo uma situação inusitada: Uma turma de meninas de 12 anos, que usavam batom todos os dias, beijavam o espelho para remover o excesso de batom. O diretor andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom...

Um dia, o diretor juntou o bando de meninas no banheiro, explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam. Fez uma palestra de uma hora. No dia seguinte as marcas de batom no banheiro reapareceram.

No outro dia o diretor juntou o bando de meninas e o Zelador no banheiro, e pediu ao 
zelador para demonstrar a dificuldade do trabalho. O zelador imediatamente pegou um pano, molhou no vaso sanitário e passou no espelho.

Nunca mais apareceram marcas no espelho!"

Há professores e há educadores...

Nós, como regra, costumamos generalizar. Por exemplo, se a primeira laranja do pomar é azeda, dizemos que as laranjas daquela pomar são todas azedas. Não é assim que funciona na vida real. As pessoas não são como queremos que elas sejam, por isso, mesmo tendo pontos de vista diferentes, não significa dizer que A está certo e que B está errado. Uma coisa errada não significa que tudo está errado. Se queimar o feijão, o almoço não estará perdido, porque não comemos somente feijão. Aprender com os erros não é suficiente, pois mesmo o que está certo hoje, pode não estar certo amanhã, pois a dinâmica da vida é maior que isso. Devemos aprender todos os dias, mesmo com o acerto, pois a cada dia podemos fazer melhor. Mesmo assim, isso não nos impedirá de cometer erros, de, as vezes, sermos mal educados com alguém, de nos esquecermos de algo importante, mas com certeza, nos fará melhores que ontem, para mim isso já é o bastante. Sorria, afinal, hoje é a melhor quinta-feira (28/06/2018) de nossas vidas.

A FÁBULA DE UM GERENTE


Esta é a fábula de um alto Gerente de um grande Empresa. Estressado com o desenvolvimento e excesso de trabalho, entrou em colapso nervoso e foi ao médico. Relatou ao psiquiatra o seu caso. O médico, experiente, logo diagnosticou ansiedade, tensão e insegurança. Disse ao paciente:

"O Sr. precisa se afastar por duas semanas da sua atividade profissional. O conveniente é que vá para o interior, se isole do dia-a-dia e busque algumas atividades que o relaxem."

Munido de vários livros, CD's, mas sem o celular, partiu para a fazenda de um amigo. Passados os dois primeiros dias, já havia lido dois livros e ouvido quase todos os CDs. Continuava inquieto. Pensou então que alguma atividade física seria um bom antídoto para a ansiedade que ainda o dominava. Chamou o administrador da fazenda e pediu para fazer algo. 

O administrador ficou pensativo e viu uma montanha de esterco que havia acabado de chegar. Disse ao nosso Gerente:

"O Sr pode ir espalhando aquele esterco em toda aquela área que será preparada para o cultivo." Pensou consigo: "Ele deverá gastar uma semana com essa tarefa". Grande engano. 

No dia seguinte o nosso executivo já tinha distribuído o esterco por toda a área. Pediu logo uma nova tarefa. O administrador então lhe disse:

"Estamos iniciando a colheita de laranjas. O Sr vá ao laranjal levando três cestos para distribuir as laranjas por tamanho. Pequenas, médias e grandes. No fim daquele primeiro dia o nosso executivo não retornou. Preocupado, o administrador se dirigiu ao laranjal. A cena que viu foi a seguinte: estava nosso executivo com uma laranja na mão, os cestos totalmente vazios, falando consigo mesmo: Esta é grande. Não, é média. Ou será pequena??? Esta é pequena. Não, é grande. Ou será média??? Esta é grande. Não, é pequena. Ou será média??? 

Moral da estória: Espalhar merda é fácil. O difícil é tomar decisões.

quarta-feira, 21 de março de 2018

SORRIA, AFINAL, HOJE É A MELHOR QUARTA-FEIRA DE NOSSAS VIDAS!



Hoje o dia amanheceu meio cinzento, sensações ruins, pesadelo noturno. Quem nunca acordou assim? Pé na estrada, o mundo não para enquanto você resolve seus problemas. Os quilômetros vão passando e com eles, depois de limpar as lentes dos óculos, o dia já não está mais cinzento, e se está, o cinzento está perfeito, as sensações ruins são substituídas por excelentes sensações, o pesadelo é esquecido quando se vislumbra na esquerda, um arco-íris, na direita, um lindo nascer do sol (as fotos foram tiradas hoje - 21/03/2018 - exatamente as 6:25). É assim que construímos o nosso dia, superando qualquer momento ruim, porque não depende dos outros, mas de nós mesmos. Encha o peito de alegria e faça de cada dia, o melhor dia de sua vida, então, sorria, afinal “hoje é a melhor quarta-feira de nossas vidas! ”.
 



quarta-feira, 7 de março de 2018

MUITO CUIDADO COM O QUE DIZEMOS A NOSSOS FILHOS

As crianças, mesmo ainda muito novas, já compreendem o que falamos, já percebem e assimilam o que vivem em seu dia a dia. Cuidado papai e mamãe com o que falam para seus filhos, ou, mesmo com o que falam próximos aos seus filhos, pois eles podem interpretar e absorver claramente tudo o que ouvirem. Abaixo, reproduzo um pequeno texto, clareando um pouco mais sobre o tema, nas palavras de uma mãe falando de seu filho:
"(...) Fiquei surpresa. Logo ele, tão brincalhão, alegre, grudadinho na gente.
Respondi devolvendo a pergunta: “Por que você acha isso, meu amor?”.
“Agora sou pré-adolescente. Não posso mais brincar."
Ainda mais surpresa, quis saber de onde tinha saído aquela conclusão.
“Você disse isso outro dia, mamãe”, foi a resposta dele.
Pois é. Não demorou cinco segundos para eu me lembrar de que havia feito, sim, aquele comentário para alguém da minha família pelo telefone, ao falar da atitude mais questionadora recente dele.
E agora? Como iria desdizer o que havia, de fato, dito?
Acredito que conversar com as crianças sobre tudo o que for possível —com o cuidado de usar uma linguagem compatível com o repertório deles— os beneficia. Já escrevi sobre isso aqui e aqui.
A capacidade de compreensão deles vai muito além da nossa capacidade de compreender isso." 
No interessante, “A vida Secreta da Mente”, Mariano Sigman diz que, antes mesmo de falar, as crianças já têm noções morais. No livro, o neurocientista descreve um experimento em que bebês de nove meses a um ano demonstram antipatia —e até sentimento de vingança— por uma marionete que atrapalha os esforços de outra para pegar um brinquedo.
Se eles fazem conjecturas desde tão pequenos, por que não lhes oferecer sinceridade e informação? 
A nova situação não muda nossa convicção, mas a pintou com outro matiz. Atentemos, mais uma vez, para a importância do ajuste fino nessa bela arte que é a criação dos filhos.
Sim, eles estão crescendo e mudando. É fato. O que falamos reflete nossa percepção sobre isso. Mas, se soubéssemos de antemão que um comentário descuidado na sua frente seria interpretado como o fim, teríamos mudado de tom ou até nos calado.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

COMO NASCEM OS PRECONCEITOS DE NOSSOS FILHOS

Navegando em pensamentos tortos, refletindo sobre o fazer nosso de cada dia e procurando algo que preenchesse o vazio de minha mente (sempre vazia e impreenchível), deparei-me com a leitura do texto da jornalista Érica Fraga, publicado no site do jornal folha de São Paulo. Tem ali um pouco daquilo que acontece com todos nós constantemente. Aproveitem.

"Na contagem regressiva para o início da vida escolar do meu caçula, me dei conta de que não havia sobrado nenhuma mochila inteira dos irmãos maiores que ele pudesse herdar. Saímos então nós dois com a missão de escolher uma nova.
Entramos na loja, expliquei para a vendedora o que buscava: um modelo de rodinhas que não custasse uma pequena fortuna. Ela nos apontou a área da loja onde estavam possíveis opções.
Transcorrido um minuto, meu pequeno já estava agarrado a duas mochilas, ambas com o tema do desenho "Patrulha Canina". Uma delas era rosa, com o rostinho da personagem Skye, uma poodle, e a outra vermelha com a carinha do Marshall, um dálmata.
Imediatamente, a vendedora falou: "Fique com essa [apontando a vermelha], meu amor. A rosa é de menina".
Se alguém tivesse me perguntado um dia antes como eu reagiria a uma situação dessas, responderia que teria orientado meu pequeno a escolher uma das duas, mas a que ele quisesse.
Na prática, o que ocorreu foi bem diferente. Em poucos segundos, algum canto do meu cérebro processou, não sei exatamente em que ordem, as seguintes informações: a rosa era uns 20% mais cara do que a vermelha, e o risco de que, em pouco tempo, meu filho passasse a rechaçar a Skye não era desprezível. A regra aqui em casa é que as mochilas durem alguns anos.
Com delicadeza, falei: "Filho, que tal levarmos essa aqui?", indicando a vermelha.
No caixa, ele parecia feliz enquanto meu rosto corava. Sentia como se eu tivesse fraquejado diante de uma situação para a qual me preparava havia anos.
Onde tinha ido parar a mãe que sempre tenta explicar para os filhos que rótulos não provam nada; que cores e roupas refletem escolhas pessoais que devem ser respeitadas e não definem o caráter de ninguém?
Comecei a me lembrar das vezes em que me frustrei com os estereótipos que insistiam em invadir minha casa, como no dia em que um dos meninos nos avisou que sairia do circo porque alguns colegas diziam que aquilo era coisa de menina.
Minha tendência sempre foi culpar o mundo do lado de fora da minha porta por essas intromissões na criação dos meus filhos.
No dia da compra da mochila, percebi meu equívoco. A distância entre o discurso que adotamos e a nossa prática no dia a dia pode ser extensa; e as crianças são dotadas de esperteza mais do que suficiente para perceber cada nuance das nossas incoerências.
É assim que se perpetuam o que os especialistas chamam de vieses inconscientes, aquelas crenças que podemos até tentar combater, mas estão entranhadas de alguma forma na gente.
Poucos dias depois do episódio da mochila, estava desenhando com meu caçula enquanto os irmãos faziam natação. Uma menininha interessada na nossa atividade se aproximou e ele se ofereceu prontamente para dividir seus lápis, estendendo para ela o de cor rosa.
Ele entendeu tudo, pensei com melancolia."

Retirado de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ericafraga/2018/01/1954627-como-nascem-os-preconceitos-de-nossos-filhos.shtml

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

SERÁ QUE ESTAMOS PERDENDO TEMPO?


Todos os dias, todos os dias mesmo, quando nos dirigimos à escola, para nosso trabalho, imaginamos fazer o melhor por nossos alunos. Sonhamos sermos iluministas, no sentido de clarear as ideias destes jovens para que o nosso amanhã seja melhor que hoje. Considerando o caos político, ideológico e social em que vivemos, seria essa a nossa esperança. Jovens idealistas que poderiam ajudar a mudar a nossa triste realidade política, principalmente. Por mais que, pessoalmente, considere a vida hoje bem mais fácil e melhor que nas décadas anteriores, é inegável que nossas instituições estão fraquejando diante de tantos escândalos, diante de tantas pessoas que abusam diariamente, por anos a fio, da credulidade da população, especialmente dos mais carentes. Prova do nosso amadurecimento, é a nossa indignação com tantos escândalos, com tanta corrupção. Prova de nossa imaturidade é nossa incapacidade de compreender o outro. Se um cidadão, jovem ou não, opta por votar em um candidato, porque ele defende o armamento da população, paciência, agora, pessoas teoricamente um pouco mais instruídas, que estão cursando uma faculdade, apoiarem esta causa, é de desanimar. Isso para falar pouco. ‘Tá’ certo, está difícil confiar em alguém, não temos candidatos confiáveis, não temos ninguém, a princípio, que poderá fazer algo de novo e melhor para o Brasil. Então está fácil, vamos votar em um “salvador da pátria” (Collor em 1989), em um corrupto (Lula), em um maluco que promete coisas inviáveis ou outras maluquices que só outros malucos acreditam que pode dar certo. Nesse caso vamos culpar alguém: a Globo, por manipular nossas mentes (as suas mentes, pois a minha não), a Record (por desviar o dinheiro dos fiéis), ou a mim, ou a você, ou a alguém que você conheça. Enfim, estamos perdendo tempo? Nosso trabalho como professores é inútil? Quando vejo um jovem pedindo intervenção militar, sinto que sim. Infelizmente. Mas tenhamos fé, vamos todos cair em si, um dia, mas se tudo der errado, tudo bem, já está tudo errado mesmo.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Garoto das Meias Vermelhas

Ele era um garoto triste. Procurava estudar muito.
Na hora do recreio ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa. 
Todos os outros meninos zombavam dele, por causa das suas meias vermelhas.
Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele só usava meias vermelhas.
Ele falou, com simplicidade:
"no ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo".
Colocou em mim essas meias vermelhas.
Eu reclamei. Comecei a chorar.
Disse que todo mundo iria rir de mim, por causa das meias vermelhas.
Mas ela disse que tinha um motivo muito forte para me colocar as meias vermelhas.
Disse que se eu me perdesse, bastaria ela olhar para o chão e quando visse um menino
de meias vermelhas, saberia que o filho era dela." 

"Ora", disseram os garotos. "mas você não está num circo. 
Por que não tira essas meias vermelhas e as joga fora?"
O menino das meias vermelhas olhou para os próprios pés,
talvez para disfarçar o olhar lacrimoso e explicou:
"é que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora".
Por isso eu continuo usando essas meias vermelhas.
"Quando ela passar por mim, em qualquer lugar em que eu esteja,
ela vai me encontrar e me levará com ela." 

Muitas almas existem, na Terra, solitárias e tristes, chorando um amor que se foi. 
Colocam meias vermelhas, na expectativa de que alguém as identifique,
em meio à multidão, e as leve para a intimidade do próprio coração. 
São crianças, cujos pais as deixaram, um dia, em braços alheios,
enquanto eles mesmos se lançaram à procura de tesouros, nem sempre reais.
Lesadas em sua afetividade, vivem cada dia à espera do retorno dos amores,
ou de alguém que lhes chegue e as aconchegue. 
Têm sede de carinho e fome de afeto.
Trazem o olhar triste de quem se encontra sozinho e anseia por ternura. 
São idosos recolhidos a lares e asilos, às dezenas.
Ficam sentados em suas cadeiras, tomando sol, as pernas estendidas,
aguardando que alguém identifique as meias vermelhas. 
Aguardam gestos de carinho, atenções pequenas.
Marcam no calendário, para não se perderem, a data da próxima visita,
do aniversário, da festividade especial. 
Aguardam...

São homens e mulheres que se levantam todos os dias, saem de casa,
andam pelas ruas, sempre à espera de alguém que partiu, retorne. 
Que o filho que tomou o rumo do mundo e não mais escreveu,
nem deu notícia alguma, volte ao lar.
São namorados, noivos, esposos que viram o outro sair de casa,
um dia, e esperam o retorno. 
Almas solitárias. Lesadas na afetividade. Carentes. 

Pense nisso! 
O amor, sem dúvida, é lei da vida.
Ninguém no mundo pode medir a resistência de um coração
quando abandonado por outro.
E nem pode aquilatar da qualidade das reações que virão daqueles
que emurchecem aos poucos, na dor da afeição incompreendida. 
Todos devemos respeito uns aos outros.
Somos responsáveis pelos que cativamos ou nos confiam seus corações.
Se alguém estiver usando meias vermelhas, por nossa causa, pensemos se esse
não é o momento de recompor o que se encontra destroçado,
trabalhando a terra do nosso coração.
A maior de todas as artes é a arte de viver juntos.

Este texto é de CARLOS HEITOR CONY, imortal da ABL que faleceu esta semana e em quem sempre me inspirei. O dia em que conseguir escrever 1% do que ele escrevia, estarei satisfeito.