segunda-feira, 22 de abril de 2013

A culpa dentro de cada um... Barbosa estava errado...

A tempos atrás (muito tempo), vi uma entrevista de Barbosa, goleiro da seleção brasileira de futebol na Copa de 1950 - "[Moacir Barbosa Nascimento, ou simplesmente Barbosa, entrou para o imaginário popular como culpado pela derrota do Brasil frente ao Uruguai, no jogo decisivo da Copa do Mundo de 1950. Naquele dia 16 de julho, em pleno Maracanã, aconteceu uma das maiores tragédias - senão a maior - na história do futebol brasileiro. Nossa seleção precisava apenas de um empate para sagrar-se campeã. Mas tomou um gol há 10 minutos do final da partida. Resultado: 2 a 1 para os uruguaios. Barbosa foi acusado de ter falhado no lance. E sua vida, tanto pessoal quanto profissional, nunca mais seria a mesma dali em diante.]",- segundo me lembro, dizia ele na ocasião que no Brasil a pena máxima que você pode pegar por um crime é de 30 anos e que ele, Barbosa, depois da copa de 50, onde para muitos, falhou no gol que deu a vitória e o título ao Uruguai em pleno Maracanã, já estava cumprindo uma pena superior a 50 anos. Mas devo discordar de Barbosa. O Brasil ou o povo brasileiro, não culpa Barbosa por esta derrota, mesmo que tenha falhado no fatídico gol... isto foi coisa de momento, nos dias depois da copa, isso é até natural, depois da Copa de 2010 muitos de nós estavam culpando o Júlio César (goleiro) ou o meia Felipe Melo, na copa de 2006 na Alemanha, muitos culparam o Roberto Carlos pelo gol tomado contra a França. Mas são fatos momentâneos, que duram pouco tempo, as vezes ficam no imaginários daqueles comentaristas esportivos mais folclóricos. A culpa de Barbosa não lhe foi imputada pelo povo brasileiro, mas sim por ele mesmo, a culpa está dentro de nós quando sabemos que erramos, que cometemos um erro grave. Não precisamos de ninguém para nos lembrar disso e não adianta mudar-se para qualquer local, mesmo que não sejamos ali conhecidos, carregamos em nosso coração o peso do erro. Não estou dizendo aqui que nosso goleiro falhou ou errou, vejo o futebol apenas como diversão e não como uma guerra onde devemos defender a honra de sermos brasileiros, perdemos e pronto, ponto final. Estou dizendo que a culpa não nos é imputada pelos outros, somos nós que a carregamos em nosso (in)consciente, querendo ou não.

domingo, 14 de abril de 2013

Nuvens negras se aproximam...

Quem tem medo de chuva? A chuva é uma dádiva divina que nos é dada. Mas existem as tempestades que nos assustam. Não digo as tempestades que a natureza evoca como que reclamando de nossa audácia em desafiá-la diariamente destruindo aquilo que nos é dado em confiança. Falo sim, das tempestades provocadas em nossas vidas por nós mesmo, na maioria das vezes, mas também daquelas que nos são mandadas por pessoas que passam por esta Terra sempre com o intuito de colocar dificuldades na vida dos outros. É triste ver que pessoas imbuídas de um rancor desmensurado, desnecessário e hipócrita, tramam na surdina, nas costas, com a intenção clara de prejudicar as pessoas, sem escrúpulos, sem no mínimo compaixão pelos outros. Não, não estou reclamando, apenas constatando. Não preciso disso, já me puni o suficiente. Não quero um cargo, um lugar, um espaço que não é meu. Apenas aguardo pelo que possa vir, sem cobranças, sem bajulação, sem brigas. Pobres bajuladores medíocres, vivem uma vida miserável enquanto tramam sem sentido. Só podem tirar algo de alguém, se este alguém tem aquilo que querem. Não somos donos de posições, você não tem mais do que aquilo que está sob o seu olhar. Não vou brigar por espaço, já atingi meus objetivos. Mas vou ocupar seus sonhos ou pesadelos (kkkk) porque não vou abandonar o barco, podem até me tirar dele, mas não vão tirar o meu sorriso. Se tenho medo de tempestades? Já preparei minha capa...

terça-feira, 12 de março de 2013

Vinho e Circo

É muito comum na política brasileira, e porque não na da maioria dos países, nossos ilustres governantes adotarem a política do "Vinho e Circo", ou seja, faz-se muitas festas regadas a muita bebida de qualidade "duvidosa" e assim ficamos todos entorpecidos a ponto de acharmos que este governo é uma maravilha. Passamos oito anos nesta política e enfiamos goela abaixo de nosso subconsciente que tivemos o melhor governo da história. Penso que tivemos o governo que merecemos. Nossa incapacidade de raciocinar nos leva a acreditar que tudo correu as mil maravilhas. Quando comparamos com outros governos então, pensamos que aqui é o céu. Ledo engano. Por estarmos acostumados com o "péssimo" , acreditamos que o "ruim" é muito bom. Nosso parâmetro de qualidade está muito abaixo do meramente aceitável. Mas é difícil julgarmos quando no fundo, estamos esperando algum "benefício" deste ou daquele governo. Não queremos nos "comprometer", porque no fundo também temos o "rabo preso". É melhor repetimos a máxima de "quem não erra", ou "roubou mais fez" e pronto, fica tudo por isso mesmo. Agora é só esperar que daqui a quatro anos o "César" volta e ganha de novo Ora bolas... não é porque temos nossos defeitos que temos que aceitar todos os defeitos dos outros e, principalmente, devemos nos calar frente a tantos absurdos. Pessoas que desviam dinheiro da educação e da saúde, que seja pra comprar uma "câmara de ar", não estão contribuindo para melhorar em nada a sua cidade e o seu país. Isso é crime. Pessoas que "pegam um por fora" para te ajudar, até mesmo a não pagar uma multa, também cometem crime. E o pior é que ainda são homenageadas por seus pares. Fácil explicar isso, somos todos farinha do mesmo saco. Ponto.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O Rei e o Bobo da Corte

CARACTERIZAÇÃO: O Rei é aquele que se torna líder, mesmo não estando pronto para isso, ele chega e se torna o poderoso supremo, dono da vida de todos os outros, agora por ele chamado de súditos. A caminhada do rei começa assim: primeiro ele é indicado para ser rei, depois ele disputa com outros candidatos a rei a o orgulho de ser o 'escolhido'. Durante o tempo em que está por ser escolhido, o rei é aquele que aguenta a paparicação de todos, está sempre pronto para atender a demanda de seus futuros súditos, chega ao absurdo de querer adivinhar os desejos de todos. Depois de escolhido o rei continua solicito, mas agora com algumas ressalvas, pode fazer tudo o que seus súditos desejam, desde que seja possível (mas quase nunca é). A terceira parte desta caminha começa quando o rei recebe a coroa. Bom, a partir deste momento ele não precisa pedir nada a ninguém. Ele não precisa de ninguém, pois todos estão aos seus pés. Seus desejos viram ordens e sua vontade é suprema. Assim sendo, os agora súditos estão sujeitos a seus momentos de mau humor e devem esperar até que ele possa, em um grande esforço de caridade, atendê-los. O Bobo da Corte é aquele (ou são aqueles) que não importa quem é o rei, o importante é estar sempre por perto para tornar a sua vida mais fácil, mais agradável. E para isso é capaz das maiores demonstração de "babação" no pior sentido da palavra. É capaz de se desfazer de qualquer resquício de 'vergonha', de bom senso, para estar sempre de prontidão a espera de uma oportunidade de demonstrar todo seu carinho e apreço pelo rei. Ele ainda é ciumento, não admite que outros se aproximem do rei, este espaço para ele é sagrado e é capaz de lutar até a morte para não perdê-lo. Assim como existe os 10 mandamentos na religião, há os dez mandamentos do "Bobo da Corte": 1. Quando o chefe chegar seja o primeiro a dar bom-dia, com um grande sorriso nos lábios. 2. Toda vez que seu chefe espirrar diga “saúde”, não importa a quantidade de espirro. 3. Morra de rir das piadas que seu chefe conta, mesmo que seja a mais sem graça do mundo. 4. Cole um adesivo no carro com a seguinte frase: “Eu Amo Meu Chefe”. 5. Tente se parecer ao máximo com seu chefe. 6. Nunca saia do escritório antes dele. 7. Demonstre sempre muita eficiência. 8. Quando te passar uma tarefa, faça-a o mais rápido possível. 9. Se o chefe por acaso soltar um pum finja que não ouviu e nem sentiu nada. 10. Seja sempre muito atencioso com seu chefe, demonstrando sempre muito carinho por sua pessoa.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Sobre as pessoas...

Você tem amigos? Espero que sim, são pessoas importantes que esperamos ter sempre ao nosso lado... Mas, sinceramente, espero que você tenha mais parentes que amigos... sim, parentes... Estes que estão sempre brigando e falando da gente... que não vão em nossa casa... Que conhecem e expõem nossos defeitos (que são muitos)... Por que digo isso? Vamos pensar um pouco... Amigos (ou que se dizem assim), são aquelas pessoas que você nem precisa convidar para sua casa... estão sempre na porta, especialmente quando precisam de você ou quando você chama para "tomar uma", faz uma festa, etc. Mas, em contra partida são os primeiros a correrem de você quando você tem algum problema. São os primeiros que falam de você se você erra... acho que sentem vontade de se justificar perante os outros e correm como quem diz: "foi ele, eu não tenho nada com isso". Te estendem a mão quando você não precisa (isso me lembra banco), mas nunca atendem ou podem quando você necessita... Até imaginei (em grande exercício) uma cronologia para as amizades... 1 - Até os 10 anos: amigos de quem temos ciúmes, mas que não abrimos mão. 2 - até os 25: amigos porque brigamos (matamos e morremos). 3 - Depois dos 25 - amigos por afinidades e interesses... nos interessam se temos algo em comum ou algo que precisamos... Faça um teste: fique doente e se interne em um hospital. Quem vai te fazer companhia? Sua mãe ou seus irmãos (ou algum outro parente), mesmo contra a vontade, mas são eles que vão estar ao nosso lado nos momentos difíceis. São eles que vão "tomar uma" com você. Tenha muitos amigos, mas saiba e entenda, ele é seu amigo até você precisar dele, depois, ele é só mais um...

domingo, 18 de março de 2012

Mulheres são de Vênus...

Vivemos tempos diferentes onde homens e mulheres, em sua maioria, não são somente marido e mulher, mas são companheiros, dividem as tarefas e as despesas e se tornam de fato cúmplices em sua vida. Mas como eu disse, "em sua maioria", pois ainda é fácil observar casais em que a mulher, mesmo trabalhando fora, é uma verdadeira empregada do seu cônjuge. A maioria delas com jornada ininterrupta de trabalho de 24 horas (um pouquinho menos né). Cuidar da casa, das crianças e ainda trabalhar fora. E estas que fazem isso tudo são as que não reclamam. Na maioria das vezes as que reclamam demais não fazem nem metade disso. Estas a que me refiro (escravas do lar e a vida que escolheram ou não) são mulheres de Vênus. Mas por que de Vênus? Porque o dia em Vênus é maior que o ano, ou seja, dá para fazer tudo o que elas precisam e ainda serem mulheres. Ora bolas... mulheres sim, esta deveria ser sua primeira e principal função, mas estão tão envolvidas ou aborrecidas com seus afazeres rotineiros que se esquecem ou não tem tempo de serem a sua própria essência. Serem mulheres e mães. Devemos dividir o trabalho no lar? sim; devemos dividir o tempo com as crianças? sim; mas também devemos dividir um pouco mais as nossas vidas, compartilhar nosso carinho, nosso sentimento. Nos preocupamos tanto com as obrigações que nos esquecemos de nosso prazer. Nosso prazer em amar e sermos amados. Talves possa explicar melhor nas palavras de Victor Hugo:


O Homem e A Mulher


O homem é a mais elevada das criaturas;
A mulher é o mais sublime dos ideais.
O homem é o cérebro;
A mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz;
O coração, o AMOR.
A luz fecunda, o amor ressuscita.
O homem é forte pela razão;
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence, as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece, o martírio sublima.
O homem é um código;
A mulher é um evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo; a mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos;
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter , no crânio, uma larva;
Sonhar é ter , na fronte, uma auréola.
O homem é um oceano; a mulher é um lago.
O oceano tem a pérola que adorna;
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa;
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço;
Cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra;
A mulher, onde começa o céu.
Victor Hugo

domingo, 11 de março de 2012

Fui ao clube...

Hoje fui ao clube. Fui à Lagoa em Caldas Novas. Na verdade foi diferente, foi até bom, mas devo relatar algumas "visões" que tive. É estranho, mas em um clube ao contrário de me sentir diferente me senti "normal". Assim, como se eu fosse louco e estivesse visitando um manicômio. Não, eu nem tirei a roupa e entrei na piscina. Não que não pudesse, mas estava muito quente e detesto as queimaduras e a pela "desmanchando" no dia seguinte. Mas, exceto pelos "umbigos" de todos os outros, posso dizer que eu não faria feio. Falo do umbigo porque minha "hérnia" deu de inchar e o meu "umbigo" "cismou" de se avantajar um pouco. Então, penso que não seria uma exposição muito bonita. Mas, fora isso, vi de tudo (e olha que eu não reparo viu!), mas a maioria das pessoas estava lá com seus quilinhos a mais (muitos quilinhos), tá normal hoje ostentar uma "pança" com sobras. Sem contar uns magros demais, parecendo desnutridos, estão na moda né. Mas é justamente por todas estas heterogeneidades é que disse no começo que me senti normal. Somos mesmo diferentes (Graças a Deus), então não podemos e nem devemos julgar os outros, principalmente por sua aparência. É esta miscelânea de pessoas que faz de nós pessoas especiais, cada um com suas características distintas e preciosas. Nos esquecemos que também somos seres humanos e vemos os defeitos apenas nos outros. Enfim, descobri que não foi um dia especial, foi apenas um dia, porque todos eles tem a obrigação de serem especiais. Assim é a vida da gente...

sábado, 3 de março de 2012

Alô (Adaptado de um texto que escrevi no blog www.marciopontocom.blogspot.com em 2008)

_ Alô...
_ Gostaria de falar com o aumento para os professores...
_ Ele deu uma saidinha, gostaria de deixar recado?
_ Quero...
_ Então diz que vou anotar...
_ Olha... fala pra ele que estamos ansiosos por sua chegada e que gostaríamos de fazer algumas encomendas...
_ Pode contiuar...
_ Você sabe me dizer se ele vai trazer muito amor...?
_ Parece que ele tá com uma sacolada aqui...
_ Nossa! Estamos precisando viu... e paz? Paz você sabe se ele vai trazer?
_ Não... paz ele não leva...
_ Por quê?
_ Paz dependa da vontade dos homens, você sabe né, livre arbítrio...
_ Hum!! Sei... Mas então me diz: felicidade e saúde, ele vai trazer, diz pra trazer muita...
_ Isso ele sempre leva de montão, mas estou anotando aqui pra ele não esquecer...
_ Ah! Obrigado...Olha mas tem algumas coisas que ele não preciasa trazer viu, anote aí...
_ Então diz:
_ Guerra, isso não viu já tem muita por aqui, doenças também não, olha se eu for enumerar essa ligação vai ficar cara...
_ Pode deixar que vou tirar da mala dele essas coisas ruins...
_ Nossa! Nem sei como te agradecer... Desde já muito obrigado viu...
_ De nada, mas me diga, quem é você mesmo?
_ Eu sou o professor e não queria ir embora sem me certificar que o "aumento" só vai trazer coisas boas... Abraços.

"Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência."
Henry Ford

A VIDA DA GENTE... (Por Márcio Pires)

A vida da gente é assim. Assim como? Assim como vivemos todos os dias. Cheia de decepções, de amarguras, de encontros e desencontros. Cheia de pessoas que não nos compreendem, que que nã osão como a gente quer ou pensa que deveriam ser. Cheia de pessoas egoístas. Enfim, cheia de problemas. Mas por que então tem que ser assim. Tem que ser assim porque é a vida da gente. Isto não é uma lamentação, é uma constatação. Se não fosse assim não seria a nossa vida, seria a vida dos outros. A vida dos outros é que é boa. A mulher ou o marido do(a) outro(a) é que é bom. O filho do outro é que faz tudo certo. Mas, por que pensamos assim? Por que sentimos assim? Porque somos seres humanos. Nos cansamos, nos enchemos... e, principalmente, nos esquecemos de aproveitar os momentos, mesmo raros, em que a "nossa" vida é "melhor" que a dos outros. Em que os outros é que tem problemas, mesmo não tendo. Já parou para pensar que sempre temos a receita para a doença dos outros e nunca para a nossa. Sempre temos um conselho ou uma reflexão para os problemas alheios e deixamos os nossos nos sufocar. Lembre-se, "A vida guarda a sabedoria do equilíbrio e nada acontece sem uma razão justa". Nos esquecemos de sermos felizes porque estamos preocupados demais com o que não nos pertence. Estamos preocupados demais em achar os defeitos nas pessoas e esquecemos que elas também podem possuir virtudes. Não, não estou dizendo que devemos fechar os olhos a tudo, mas devemos agir mais do que reagir, sentir mais e amar mais. Não é fácil, mas se fosse fácil nossa vida não faria sentido.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

OS COMPUTADORES: UM NOVO PRODUTO E UMA NOVA FACE DA CULTURA

 Tradicionalmente os computadores têm sido pensados apenas como meros instrumentos de transmissão rápida de informações. No entanto, sua capacidade efetiva ultrapassa bastante este plano redutor.
 Os computadores são um novo tipo de produto social. Eles são chamados "produtos inteligentes" ; isto é, produtos com possibilidade de desencadear alterações nas relações entre as pessoas. Portanto, o que os caracteriza basicamente é que eles não são meros produtos para um consumo imediato, trazem acoplado novos rumos para aqueles que os utilizam.
 " Estas máquinas inteligentes já estão começando a ser usadas para tudo, desde calcular os impostos da família e monitorar o uso de energia em casa, jogando jogos, conservando um arquivo de petiscos, lembrando seus donos de próximos compromissos e servindo como “datilógrafas espertas”. Isto, entretanto, oferece apenas um minúsculo vislumbre de seu potencial completo. (...) Viver num ambiente assim levanta questões filosóficas de arrepiar. As máquinas assumirão o controle? Poderão máquinas inteligentes, especialmente se entrelaçadas em redes de intercomunicação, ultrapassar a nossa habilidade de compreendê-las e controlá-las? (...) Até que ponto nos tornaremos dependentes do computador e do cartão? Na medida em que bombearmos mais e mais inteligência no ambiente material, atrofiar-se-ão as nossas próprias mentes?” 
 Há, geralmente, uma postura inicial que acompanha a todos aqueles que se iniciam na utilização de computadores : uma maneira preconceituosa de concebê-los. Primeiramente, os usuários partem da crença de que eles são máquinas que não pensam. Na verdade, eles são produtos de ponta de uma tecnologia inteligente, isto é, uma tecnologia que se desenvolve e se estrutura a partir de componentes oriundos da decodificação de processos cerebrais. São máquinas semânticas, utilizando formas de linguagem bastante sofisticadas, tais como : imagens, códigos de linguagem, processadores de texto e cálculo, etc.
 Em segundo lugar, os computadores costumam ser vistos como máquinas frias que não possibilitam o contato humano. Contudo, este processo tem mudado rapidamente através das redes de computação. O que possibilitou a emergência de novas maneiras de conceber as relações sociais. Surgiram as chamadas relações virtuais. Elas são estabelecidas através dos microcomputadores conectados em rede. Em decorrência, seja através dos grandes bancos de dados, das trocas de mensagens por correio eletrônico ou dos chats (conversas online em pares ou grupos); o que acaba por se estruturar são novas formas de interação, onde as distâncias e o tempo se encurtam nos processos de comunicação entre as pessoas.
 " (Invadir) o cotidiano com a tecnologia eletrônica de massa e individual, visando à sua saturação com informações, diversões e serviços. Na Era da Informática, que é o tratamento computadorizado do conhecimento e da informação, lidamos mais com signos do que com coisas. Preferimos a imagem ao objeto, a cópia ao original, o simulacro (a reprodução técnica) ao real. PORQUE DESDE A PERSPECTIVA RENASCENTISTA ATÉ A TELEVISÃO, QUE PEGA O FATO AO VIVO, A CULTURA OCIDENTAL FOI UMA CORRIDA EM BUSCA DO SIMULACRO. SIMULAR POR IMAGENS COMO NA TV, QUE DÁ O MUNDO ACONTECENDO, SIGNIFICA APAGAR A DIFERENÇA ENTRE REAL E IMAGINÁRIO, SER E APARÊNCIA. Mas o simulacro, tal qual a fotografia a cores, embeleza, intensifica o real. Ele fabrica um hiper-real, espetacular, um real mais real e mais interessante que a própria realidade. O hiper-real simulado nos fascina porque é o real intensificado na cor, na forma, no tamanho, nas suas propriedades. (...) ELES NÃO NOS INFORMAM SOBRE O MUNDO; ELES O REFAZEM À SUA MANEIRA, HIPER-REALIZAM O MUNDO , TRANSFORMANDO-O NUM ESPETÁCULO."
(GRIFO NOSSO)
 Quando o aluno se volta para a sociedade atual, através da Informática, não está apenas frente a um novo instrumento de consumo ou brinquedo. O computador estrutura um novo recorte da realidade. Um recorte que possibilita ao usuário recriar uma parte da realidade. Este fato nunca antes tinha acontecido nas dimensõe atuais. O real ficava sempre como o último recurso da certeza do sujeito. Era no real que estava a concretude do pensamento. Era nele que o professor teria que se basear para estruturar o seu processo de ensino-aprendizagem. No momento atual, assinala Jair Ferreira dos Santos " (que) os filósofos estão chamando de desreferencialização do real e dessubstancialização do sujeito, ou seja, o referente (a realidade) se degrada em fantasmagoria e o sujeito (o indivíduo) perde a substância interior, sente-se vazio." 
 Com o processo de desreferencialização do real e dessubstancialização do sujeito como é que fica o processo de formação dos alunos? De que maneira o professor deverá agir para lidar com os alunos a partir desta nova realidade?
 " Não é o saber ou o saber fazer o fulcro da ação educativa: é a criança, o adolescente, que devem ser preparados para viverem com os seus semelhantes, para dialogarem com eles, para participarem em sociedades gradualmente mais tirânicas, sem por isso deixarem de ser eles mesmos, sem serem dominados, avassalados por máquinas e burocracia de qualquer tipo". 
 Pode-se dizer que os computadores não são apenas os produtos mais comuns da nossa época. Eles são a metáfora do nosso tempo. Eles trazem em seu bojo as possíveis transformações que a sociedade do futuro terá. Uma sociedade que exige que os sujeitos sejam preparados para viver em realidades cada vez mais redefinidas e recortadas, onde o conceito de real e de realidade antigos não dão conta das indicações dos caminhos por onde ir. Os alunos precisam ser preparados para uma sociedade pós-moderna onde os parâmetros cognitivos serão continuamente redefinidos.
 A questão básica passa a ser, em decorrência, o que a Educação pode fazer para auxiliar os alunos e professores neste processo. No passado partia-se do privilegiamento do plano da razão ou consciência.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

COMPARTILHANDO IGUALDADES

Pensando em nossas angústias, medos, dificuldades diversas, aos quais todos nós estamos passando neste momento de mudança, propomos este texto para pensarmos em nossas igualdades.
Num momento em que buscamos por ideal, uma otimização da escola, da comunicação, da troca, do respeito, da consideração, do envolvimento, da paciência, da  tolerância, sentimentos estes que precisam nascer para fortalecerem nosso enfrentamento dos entraves, frustrações, desilusões, ainda que uma utopia.
O que são utopias? Refere-se a algo que não se encontra em lugar algum (do grego ou = não + topos =lugar) Mas para que servem a utopias? Servem para sonharmos, desejarmos, nos iludirmos com o impossível e conseguir o possível dentro do real, nos imaginarmos de forças amorosas, peregrinação na direção da terra prometida, construção do mundo que ainda não existe, e criatividade usada para um bem comum.
Caminhamos através de uma construção, e construir é um conjunto de ações que precisamos da força de cada um, para elevarmos nossas ações.
Um ideal social, educacional só pode ser alcançado se juntos enfrentarmos as adversidades em grupo, do contrário nos enfraquecemos, isolamo-nos um dos outros, cada qual a sua maneira de ver, entender, falar e agir. De nada valerá na prática, cujas forças diversas buscarão objetivos muitas vezes pouco comuns, levando a rupturas, a ilhas...
Já pensou em viver numa ilha?! Muito bom, um paraíso onde somos únicos, aparentemente atendidos em nossos desejos, mas sozinhos...
Como o homem por sua natureza é gregário e só se faz homem no social, através da cultura, na relação com outro ser humano.... então o que é ser humano?
Ah! aquela pessoinha cheia de defeitos, errante, atrapalhada, imperfeita, mortal que não cheira nem fede, sem sal sem pimenta, que tem humores e afetos diversos, mutável, que cresce, apaixona-se, ama, odeia. Alguns deles querem viver no paraíso, outros no inferno e a maioria deles acabam se contentando em  morar no purgatório.
Não gostou!? Então o que é um ser perfeito, onisciente, correto, imortal, maravilhoso? São os mitos, os deuses, estão nas religiões, no cinema, nas novelas,  são os heróis e bandidos, os monstros e os iluminados, os sobrenaturais e fazem parte do nosso desejo.
E qual a vantagem de ser humano? Vamos brincar um pouco com as metáforas...
A imperfeição permite que todos possamos caminhar entre os três mundos: dos  só de bonzinhos, dos só malvados, e dos bonzinhos e malvados.
A desvantagem dos bonzinhos é que só podem ficar lá,  intocáveis, são tão bons que agüentam tudo, nunca reclamam, mas quando estão bravos disfarçam podem virar cruéis e vingativos por sua natureza, ninguém pode chegar perto se chegar há necessidade de reverencia, protocolos. Os deuses podem ser bons, cruéis, vingativos, e os diabinhos também muito simpáticos sedutores tiram a alma da gente... Já que são rivais disputam pelo mesmo intuito nossa alma humana, que acreditamos ser sem valor. Portanto, temos dois seres brigando para quem fica com os imperfeitinhos, não quer dizer malvado e cruel ou perfeitinho não quer dizer  maravilhoso e incompleto, em construção, mutação,...
Seres humanos são imperfeitos justamente por que buscam a felicidade a qual almejamos encontrar um dia? Será que realmente tivemos? Se tínhamos por que procurar?, procuramos por que tínhamos? Se perdemos por que não durou ?Aonde está a felicidade? Talvez a própria pergunta responda, que poderá ser um estado? Passamos a ser seres infelizes, tristes para desejar a felicidade e alegria! É um paradoxo o que vivemos.
A beleza pode estar justamente na possibilidade do crescimento humano, pode estar exatamente por sabermos que somos mortais, quando permitimos que algo morra, abre espaço para crescer o novo, evoluir, caminhar...
Juntam-se assim o amor, o desejo, a imaginação, as forças, para crirar um mundo que faça sentido, que tenha harmonia, que seja espelho, espaço fraterno, lar,.... Seria a realização dos nossos objetos de desejo!
Teríamos este lugar? Em que cultura isso se realizou? Em nenhum lugar! Nosso problema está aí, reconhecer nossas intenções e constatarmos o fracasso, e sobrará a riqueza da esperança, de em que algum dia, a realidade se harmonize com o desejo.
Não temos saudade do bem amado presente, a saudade só aparece na ausência, na distancia, na falta. E assim é sempre o desejo humano... ele aparece exatamente porque sentimo-nos privados, insatisfeitos, não encontramos prazer no espaço tempo presente, vem então a força para modificar. A psicanálise nos trás o ensinamento que a cultura vem exatamente para criar o objeto por nós desejado. O projeto inconsciente do ego é encontrar um mundo que possa ser amado, não importa seu tempo, lugar.
O ser humano do século XXI é aquele que deseja solidariedade igualdade, união, paz, amor, criatividade, exercício de cidadania, multiculturalismo, mas é o mesmo ser humano que quer o poder pelo poder, mata, destrói, corrompe, perverte, contamina,... Ao desejarmos uma possibilidade enfrentaremos outras opostas, é a dialética humana.
Queremos hoje as impossibilidades humanas, governar, curar, educar que só se fazem dentro do desejo do outro, do contrário é servidão massificadora, tirania imposta pelo meu próprio prazer de controlar o outro e exaltando é encontrar um mundo que possa ser amado. a mim mesmo.
Vivemos muitas horas de trabalho juntos, e então... não poderíamos transformar este espaço no mínimo mais aprazível?
Quem disse que seria fácil, é o desafio atual que nos chama!
Enquanto nossos desejos não se realizam podemos cantá-los, fazer deles poesias, sonhá-los, pintá-los, escrevê-los, prosear sobre eles,...
Já será um bom começo,  pois o melhor da festa é a preparação, estaríamos no meio, produzindo uma cultura, a caminho de algo!

domingo, 29 de janeiro de 2012

As políticas públicas atuais

Sempre imaginamos que uma política educacional pública deve expressar os anseios da  comunidade a que se destinam suas diretrizes e propostas, assim como imaginamos que uma política pública deve estar atenta e oferecer respostas às necessidades geridas e construídas na práxis histórica dos sujeitos que convivem em suas dimensões; no caso, das políticas educacionais, referimo-nos aos educadores/as que militam nas diversas esferas por onde a educação transita.
Imaginamos ainda, que uma política educacional pública, deve buscar coerência epistemológica entre suas propostas de inovações e as legislações decorrentes. Pressupõe-se que deva existir uma coerência entre intencionalidade da legislação e convicções teóricas que sustentam tal legislação. Pressupomos ainda que uma política educacional , num estado de direito democrático, deva buscar canais de diálogo com os que estarão implicados, direta ou indiretamente, com as conseqüentes normatizações de suas legislações. Acreditamos, eu e milhares de educadores,  que as intencionalidades de  uma política, fundamentalmente a educacional,  devem ser explícitas e dialogantes;  devem ser expressas claramente e devem se reger por princípios e valores que fundamentam e sustentam tais intencionalidades. Enfim, imaginamos que políticas devem se pautar  em  pressupostos, e expressar valores que justifiquem as escolhas e procedimentos tomados. Se não forem explícitos, tais pressupostos deixam de ser justificantes e passam a ser oportunistas, pois mudam de valor quando a situação se altera.
Se não vejamos : o que sinalizam as políticas vigentes quando determinam que, os cursos de pedagogia, das instituições superiores não universitárias, não poderão formar o docente? E ainda mais, essa mesma legislação permite que as universidades, ou centros universitários, possam organizar cursos de pedagogia que tenham como finalidade a formação de docentes.
Então eu pergunto : qual é a intencionalidade presente nesta medida legal?  Afinal de contas, considerando o espírito da legislação: o curso de pedagogia deve ser ou não o contexto sustentador da formação de professores?
O fato de a formação de docentes, estar ou não atrelada a um curso de pedagogia, deve expressar uma crença, um valor, o reconhecimento de uma determinada epistemologia da formação. Mais ainda, quando um político, ou um legislador educacional, vai organizar uma legislação para mudar as regras de jogo, no caso me refiro à formação docente, espera-se que esse legislador/político, atue em congruência com uma série de convicções.
Neste caso, o que ele acredita, afinal?
-         que é possível formar docentes no vazio epistemológico e acadêmico?
-         ou ao contrário, que a formação docente deve estar vinculada a uma epistemologia, a uma pedagogia, a um projeto de nação?

São duas posturas, baseadas em pressupostos e valores diferentes, e o mínimo que se espera de quem trabalha e legisla na área de políticas públicas é que as referências conceituais estejam claras. Do contrário não há espaço para diálogo, só para imposição. E a imposição de políticas educacionais é um procedimento altamente anti-educativo.
Anti educativo porque, quando as orientações não são claras,  um mesmo pressuposto justifica situações diferentes : quando convém, vale isto, quando não convém, vale aquilo. Isto é que chamo de postura oportunista, que gera relações esquizofrênicas. Senão vejamos: se acredito que os professores devem receber uma formação técnica, se acredito que, ser professor é uma tarefa pouco complexa; se acredito que os  conhecimentos que sustentam os saberes dos professores não se organizarem a partir de pesquisa, vou acreditar então, que a formação pode ser bem aligeirada, pois apenas devo treinar habilidades, adestrar comportamentos e fazeres, e a questão da formação docente estará resolvida. Desta forma, a legislação, compatível a essas crenças, deve se pautar nos pressupostos da racionalidade técnica, pode até considerar a desnecessidade da pedagogia e da pesquisa e então se entende, neste contexto, a criação de figuras institucionais esdrúxulas, como os Institutos Superiores de Educação, ou mesmo se pode compreender       ( apesar de se discordar) que tais legisladores possam diminuir a integralização de tais cursos para 2800 horas, de forma paradoxal ao discurso que enaltece a necessidade de uma ótima formação docente.
Vejam que o confronto fundamental é a incoerência entre o discurso, a legislação e a prática.
Se acredito o contrário, ou seja, que formar professores é uma tarefa muito complexa, que requer uma formação aprofundada tendo como base os estudos pedagógicos, isto implicará num trabalho rigoroso e coletivo, que emergirá da articulação de ensino e pesquisa, de forma atávica, fundamental, rigorosa, o que dará novos contornos ao tratamento da questão teoria e prática, pelo realce que se fará na epistemologia da práxis, como elemento fundamental na construção de saberes da prática, num processo contínuo de auto-formação docente.
Neste segundo caso, essa formação, exigirá para sua consecução, um ambiente que priorize a pesquisa, a interlocução com diferentes áreas do saber, e assim uma proposta de formação que se faça em sintonia com tais convicções, deve pressupor uma contexto pedagógico fundamentador e organizador da teoria e da práxis formativa.
Não dá para acreditar numa política educacional que, a partir de sofisticados discursos sobre a formação docente, recomende, pelo menos duas posições divergentes :
- ou seja, se a formação ocorrer em faculdades particulares, não será preciso, e mais que isto, é proibido, que o curso de pedagogia, seja o contexto e contorno epistemológico de tal formação;
-                     agora se o curso ocorrer em universidade, aí então, o contexto articulador da formação docente pode ser o curso de pedagogia.
Indignada, como toda educadora, com fortes compromissos com a formação docente, pergunto: em que acreditam tais legisladores? Como realmente pensam a formação docente? O que e como pretendem realmente formar? Como podem legislar sobre uma área, de fundamental importância à nação, no caso, a formação de docentes, de forma tão dúbia, estratégica, oportunista?
O que questiono é tanto o conteúdo epistemológico pouco explícito e incoerente no referente ao campo conceitual da pedagogia, como também a forma que vêm sendo conduzidas tais políticas, de modo autoritário, não atendendo às expectativas e anseios da comunidade a ela pertinente, interrompendo um saudável caminhar de discussão da identidade do pedagogo e também interrompendo o exercício de autonomia que estava sendo exercido por muitas instituições, na busca de caminhos alternativos e inovadores ao curso em questão. 
A nova LDB de 1996, ao introduzir  no artigo 62 a figura dos institutos superiores de educação, para responder, juntamente com as universidades pela formação dos professores para atuar na educação básica; bem como o artigo 63 que, em seu inciso I , institui o curso normal superior para formar docentes para a educação infantil e séries iniciais do E.F. e por fim o artigo 64 que, ao fixar duas instâncias alternativas à formação de profissionais de educação (para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional) quais sejam, os cursos de graduação em pedagogia, ou então os cursos de pós graduação, escancara uma forma de intromissão indesejada aos caminhos que os educadores vinham trilhando e deixa transparecer  mais uma tentativa ou armadilha para a extinção gradativa dos cursos de Pedagogia, ou mesmo mais uma armadilha para demonstrar a desnecessidade de tal curso.
Vejam o grande paradoxo instalado : por um lado há todo um consenso social de que a educação é a prática social que pode conduzir a sociedade a melhores rumos, há um consenso de que só a educação salva. No entanto há, por outro lado, toda uma estratégia montada, pronta para ser executada, visando à extinção dos referidos cursos.
Instalados os tais institutos, a custo baixo, sem necessidade de pesquisa, nem de doutores e titulados em seu corpo docente, um prato aberto à expectativa de cursos de baixo custo e grande lucro às faculdades particulares, quem organizará os cursos de Pedagogia? Apenas as universidades, que não correspondem nem a 30% das instâncias formativas. Há que se pensar, a quem interessa a extinção de tais cursos? Por que uma interferência tão imposta? A quem interessa e satisfaz essa legislação? Qual é sua intencionalidade?

As políticas públicas atuais

Sempre imaginamos que uma política educacional pública deve expressar os anseios da  comunidade a que se destinam suas diretrizes e propostas, assim como imaginamos que uma política pública deve estar atenta e oferecer respostas às necessidades geridas e construídas na práxis histórica dos sujeitos que convivem em suas dimensões; no caso, das políticas educacionais, referimo-nos aos educadores/as que militam nas diversas esferas por onde a educação transita.
Imaginamos ainda, que uma política educacional pública, deve buscar coerência epistemológica entre suas propostas de inovações e as legislações decorrentes. Pressupõe-se que deva existir uma coerência entre intencionalidade da legislação e convicções teóricas que sustentam tal legislação. Pressupomos ainda que uma política educacional , num estado de direito democrático, deva buscar canais de diálogo com os que estarão implicados, direta ou indiretamente, com as conseqüentes normatizações de suas legislações. Acreditamos, eu e milhares de educadores,  que as intencionalidades de  uma política, fundamentalmente a educacional,  devem ser explícitas e dialogantes;  devem ser expressas claramente e devem se reger por princípios e valores que fundamentam e sustentam tais intencionalidades. Enfim, imaginamos que políticas devem se pautar  em  pressupostos, e expressar valores que justifiquem as escolhas e procedimentos tomados. Se não forem explícitos, tais pressupostos deixam de ser justificantes e passam a ser oportunistas, pois mudam de valor quando a situação se altera.
Se não vejamos : o que sinalizam as políticas vigentes quando determinam que, os cursos de pedagogia, das instituições superiores não universitárias, não poderão formar o docente? E ainda mais, essa mesma legislação permite que as universidades, ou centros universitários, possam organizar cursos de pedagogia que tenham como finalidade a formação de docentes.
Então eu pergunto : qual é a intencionalidade presente nesta medida legal?  Afinal de contas, considerando o espírito da legislação: o curso de pedagogia deve ser ou não o contexto sustentador da formação de professores?
O fato de a formação de docentes, estar ou não atrelada a um curso de pedagogia, deve expressar uma crença, um valor, o reconhecimento de uma determinada epistemologia da formação. Mais ainda, quando um político, ou um legislador educacional, vai organizar uma legislação para mudar as regras de jogo, no caso me refiro à formação docente, espera-se que esse legislador/político, atue em congruência com uma série de convicções.
Neste caso, o que ele acredita, afinal?
-         que é possível formar docentes no vazio epistemológico e acadêmico?
-         ou ao contrário, que a formação docente deve estar vinculada a uma epistemologia, a uma pedagogia, a um projeto de nação?

São duas posturas, baseadas em pressupostos e valores diferentes, e o mínimo que se espera de quem trabalha e legisla na área de políticas públicas é que as referências conceituais estejam claras. Do contrário não há espaço para diálogo, só para imposição. E a imposição de políticas educacionais é um procedimento altamente anti-educativo.
Anti educativo porque, quando as orientações não são claras,  um mesmo pressuposto justifica situações diferentes : quando convém, vale isto, quando não convém, vale aquilo. Isto é que chamo de postura oportunista, que gera relações esquizofrênicas. Senão vejamos: se acredito que os professores devem receber uma formação técnica, se acredito que, ser professor é uma tarefa pouco complexa; se acredito que os  conhecimentos que sustentam os saberes dos professores não se organizarem a partir de pesquisa, vou acreditar então, que a formação pode ser bem aligeirada, pois apenas devo treinar habilidades, adestrar comportamentos e fazeres, e a questão da formação docente estará resolvida. Desta forma, a legislação, compatível a essas crenças, deve se pautar nos pressupostos da racionalidade técnica, pode até considerar a desnecessidade da pedagogia e da pesquisa e então se entende, neste contexto, a criação de figuras institucionais esdrúxulas, como os Institutos Superiores de Educação, ou mesmo se pode compreender       ( apesar de se discordar) que tais legisladores possam diminuir a integralização de tais cursos para 2800 horas, de forma paradoxal ao discurso que enaltece a necessidade de uma ótima formação docente.
Vejam que o confronto fundamental é a incoerência entre o discurso, a legislação e a prática.
Se acredito o contrário, ou seja, que formar professores é uma tarefa muito complexa, que requer uma formação aprofundada tendo como base os estudos pedagógicos, isto implicará num trabalho rigoroso e coletivo, que emergirá da articulação de ensino e pesquisa, de forma atávica, fundamental, rigorosa, o que dará novos contornos ao tratamento da questão teoria e prática, pelo realce que se fará na epistemologia da práxis, como elemento fundamental na construção de saberes da prática, num processo contínuo de auto-formação docente.
Neste segundo caso, essa formação, exigirá para sua consecução, um ambiente que priorize a pesquisa, a interlocução com diferentes áreas do saber, e assim uma proposta de formação que se faça em sintonia com tais convicções, deve pressupor uma contexto pedagógico fundamentador e organizador da teoria e da práxis formativa.
Não dá para acreditar numa política educacional que, a partir de sofisticados discursos sobre a formação docente, recomende, pelo menos duas posições divergentes :
- ou seja, se a formação ocorrer em faculdades particulares, não será preciso, e mais que isto, é proibido, que o curso de pedagogia, seja o contexto e contorno epistemológico de tal formação;
-                     agora se o curso ocorrer em universidade, aí então, o contexto articulador da formação docente pode ser o curso de pedagogia.
Indignada, como toda educadora, com fortes compromissos com a formação docente, pergunto: em que acreditam tais legisladores? Como realmente pensam a formação docente? O que e como pretendem realmente formar? Como podem legislar sobre uma área, de fundamental importância à nação, no caso, a formação de docentes, de forma tão dúbia, estratégica, oportunista?
O que questiono é tanto o conteúdo epistemológico pouco explícito e incoerente no referente ao campo conceitual da pedagogia, como também a forma que vêm sendo conduzidas tais políticas, de modo autoritário, não atendendo às expectativas e anseios da comunidade a ela pertinente, interrompendo um saudável caminhar de discussão da identidade do pedagogo e também interrompendo o exercício de autonomia que estava sendo exercido por muitas instituições, na busca de caminhos alternativos e inovadores ao curso em questão. 
A nova LDB de 1996, ao introduzir  no artigo 62 a figura dos institutos superiores de educação, para responder, juntamente com as universidades pela formação dos professores para atuar na educação básica; bem como o artigo 63 que, em seu inciso I , institui o curso normal superior para formar docentes para a educação infantil e séries iniciais do E.F. e por fim o artigo 64 que, ao fixar duas instâncias alternativas à formação de profissionais de educação (para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional) quais sejam, os cursos de graduação em pedagogia, ou então os cursos de pós graduação, escancara uma forma de intromissão indesejada aos caminhos que os educadores vinham trilhando e deixa transparecer  mais uma tentativa ou armadilha para a extinção gradativa dos cursos de Pedagogia, ou mesmo mais uma armadilha para demonstrar a desnecessidade de tal curso.
Vejam o grande paradoxo instalado : por um lado há todo um consenso social de que a educação é a prática social que pode conduzir a sociedade a melhores rumos, há um consenso de que só a educação salva. No entanto há, por outro lado, toda uma estratégia montada, pronta para ser executada, visando à extinção dos referidos cursos.
Instalados os tais institutos, a custo baixo, sem necessidade de pesquisa, nem de doutores e titulados em seu corpo docente, um prato aberto à expectativa de cursos de baixo custo e grande lucro às faculdades particulares, quem organizará os cursos de Pedagogia? Apenas as universidades, que não correspondem nem a 30% das instâncias formativas. Há que se pensar, a quem interessa a extinção de tais cursos? Por que uma interferência tão imposta? A quem interessa e satisfaz essa legislação? Qual é sua intencionalidade?