O protagonismo juvenil entre os 14 e 17 anos pode ser compreendido como um momento decisivo de despertar para a própria existência e para a construção do ser. Nessa fase, o jovem deixa de ser apenas espectador da vida e passa a assumir um papel ativo, fazendo escolhas, questionando valores e iniciando a construção das bases do seu futuro. A filosofia existencialista de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir oferece um olhar profundo sobre esse processo.
Para Sartre, “a existência precede a essência”,
ou seja, o ser humano não nasce com uma natureza pronta e definida: ele se
constrói por meio de suas ações. Aplicado à juventude, isso significa que o
adolescente não deve esperar que o mundo diga quem ele é ou o que deve ser. Ao
contrário, é justamente nesse período que ele começa a definir sua identidade,
assumindo a responsabilidade por suas escolhas. O protagonismo juvenil,
portanto, está diretamente ligado à consciência de que cada decisão — estudar,
participar, se posicionar — contribui para a construção do próprio ser.
Esse despertar para a existência implica também sair
da passividade. O jovem protagonista não apenas “vive”, mas participa
ativamente da realidade, questiona, propõe e transforma. Sartre reforça
essa ideia ao afirmar que “o homem está condenado a ser livre”,
indicando que não há como fugir da responsabilidade de escolher e agir. Mesmo a
omissão é uma escolha — e, portanto, também constrói o ser.
Simone de Beauvoir complementa essa visão ao destacar
que o indivíduo se forma ao longo da vida, em relação com o mundo e com os
outros. Sua célebre frase, “não se nasce, torna-se”, embora
originalmente relacionada à condição feminina, pode ser ampliada para pensar a
juventude: ninguém nasce pronto, mas se torna aquilo que constrói a partir de
suas experiências e atitudes. Assim, o jovem precisa “acordar para a vida”,
percebendo que sua realidade não é algo fixo, mas algo em constante construção.
Nesse sentido, o protagonismo juvenil envolve consciência, ação e responsabilidade. É o momento de desenvolver autonomia, participar da comunidade, engajar-se em projetos, expressar ideias e assumir o papel de agente da própria história. Mais do que preparar para o futuro, esse processo já é, em si, a construção do futuro.
Portanto, entre os 14 e 17 anos, o jovem vive uma fase essencial de afirmação do seu ser. Ao compreender que sua existência é marcada pela liberdade e pela possibilidade de escolha, ele passa a agir com mais intencionalidade. Como propõe o existencialismo, não há um caminho pronto — há caminhos a serem construídos. E é justamente nesse movimento de ação consciente que o jovem deixa de apenas existir e começa, de fato, a ser.




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