O que seria este brio? Brio, no nosso caso, seria perder a vergonha da passividade e resgatar a vontade, o desejo de crescer e de pensar por si mesmo, sem repetir como papagaio o que os outros falam ou escrevem. É fácil identificar essa carência quando se trabalha nas escolas pelo Brasil.
Observa-se, no cotidiano das salas de aula, a reprodução automática de conceitos prontos, onde a aceitação cega substitui o questionamento e o medo de errar sufoca a curiosidade natural. Alunos e educadores frequentemente se veem engrenados em um modelo que recompensa a memorização mecânica em detrimento da reflexão crítica. Quando a capacidade de formular ideias próprias é trocada pela simples cópia de fórmulas e slogans, a escola deixa de cumprir seu papel emancipador e passa a formar meros repetidores de discurso.
Resgatar o brio no ambiente educacional exige devolver ao indivíduo a dignidade de sua própria inteligência. Significa cultivar a coragem de discordar com fundamentos, de buscar a verdade além do óbvio e de assumir a responsabilidade pela própria formação. Sem essa postura ativa, a educação corre o risco de se tornar um ritual vazio; com ela, transforma-se no instrumento definitivo de autonomia e transformação social.
