Há um momento do dia em
que o sol parece não pertencer ao mundo.
Longe, quase escondido
atrás do horizonte, ele surge devagar, tímido, silencioso, como se tivesse medo
de interromper a beleza da manhã. O frio ainda permanece sobre a terra, o campo
está mergulhado em sombras e tudo parece distante. Mas então, pouco a pouco,
uma luz dourada começa a nascer.
É um sol diferente.
Nem parece aquele mesmo
sol que, algumas horas depois, nos queimará a pele, nos fará procurar uma
sombra e nos lembrará da força implacável da natureza. Nesse instante, ele é
apenas promessa. É delicadeza. É esperança.
O nascer do sol nos
ensina que algumas das coisas mais bonitas da vida acontecem justamente quando
ainda estamos no frio, quando tudo parece distante e quando a luz ainda não
tomou conta de tudo.
Talvez os sonhos sejam
assim.
Nascem pequenos, quase
invisíveis, no horizonte da nossa existência. No começo, parecem distantes
demais. Precisamos esperar, acreditar e suportar alguns momentos de frio e
escuridão até que comecem a iluminar o caminho.
E quando finalmente
aparecem, não trazem apenas claridade.
Trazem verdade,
porque a luz revela aquilo que a escuridão escondia.
Trazem felicidade,
porque nos lembram que sempre existe a possibilidade de um novo começo.
Trazem sonhos,
porque um novo dia significa que ainda temos tempo para tentar.
E trazem paixão,
porque viver é também sentir intensamente aquilo que nos faz levantar todos os
dias e continuar caminhando.
Olhar para esse sol
distante é perceber que a vida não precisa começar iluminada por completo. Às
vezes, basta uma pequena fresta de luz para nos fazer acreditar novamente.
O horizonte pode estar
frio. O caminho pode parecer longo. Os sonhos podem estar muito distantes.
Mas o sol continua
nascendo.
E talvez essa seja uma
das maiores belezas da vida: mesmo depois das noites mais escuras, existe
sempre uma manhã esperando para nascer.
Que saibamos contemplar o
sol enquanto ele ainda é promessa.
Que saibamos guardar essa
primeira luz dentro de nós.
Porque, antes de ser o
sol que aquece e queima, ele é o sol que desperta, ilumina, revela, apaixona
e nos convida a sonhar novamente.


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