domingo, 28 de dezembro de 2025

Falando com o amanhã


O telefone tocou estranho, como se viesse de muito longe. Do outro lado da linha, alguém do ano de 2025 respirou fundo antes de falar, carregando na voz o peso de um ano inteiro. Quem atendeu estava em 2026, com um tom sereno, quase sorrindo, como quem já atravessou a ponte do tempo.

— Como foi aí? — perguntou 2026, curioso.
— Intenso — respondeu 2025. — Teve cansaço, perdas, aprendizados e algumas vitórias pequenas que pareceram gigantes. Foi um ano de despedidas, de mudanças forçadas e de muitas perguntas sem resposta.

2026 ouviu em silêncio, respeitando cada pausa. Depois disse:
— Tudo isso chegou aqui também. Nada se perde quando é vivido de verdade. O que vocês aprenderam em 2025 virou base, virou degrau. As dores ensinaram cuidado, e os erros ensinaram direção.

— A gente tentou — continuou 2025. — Nem sempre acertou. Às vezes faltou fé, às vezes sobrou medo. Mas houve amor, encontros sinceros e momentos que aqueceram o coração quando tudo parecia frio.

— E isso faz toda a diferença — respondeu 2026. — São essas partes que permanecem. O resto vira memória e lição.

Antes de desligar, 2025 fez a pergunta que mais importava:
— Diz pra mim… como vai ser 2026?

Houve um breve silêncio do outro lado da linha. Então veio a resposta, firme e esperançosa:
— 2026 ainda está em construção. Nada está totalmente escrito. Cada escolha, cada gesto, cada recomeço molda o que ele será. Se vocês levarem coragem, perdão e esperança, tudo pode ser melhor.

A ligação caiu. O telefone ficou mudo. Mas, no coração de 2025, ficou a certeza de que o amanhã não é um destino pronto — é uma possibilidade viva, esperando para ser construída.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Reflexão de Natal: o perdão que gera paz

 Reflexão de Natal: o perdão que gera paz

“Olhai por vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe.
E, se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe.”
(Lucas 17:3–4)

O Natal chega todos os anos nos lembrando do nascimento daquele que veio ao mundo como expressão máxima do amor de Deus. No entanto, em meio às luzes, encontros e celebrações, também reaparecem feridas antigas, conflitos familiares, mágoas não resolvidas e palavras que ainda doem. É justamente nesse cenário que o ensinamento de Jesus se torna tão atual e necessário.

Ao dizer “olhai por vós mesmos”, Cristo nos chama à responsabilidade interior. O perdão não começa no outro, mas em uma decisão pessoal de não permitir que o ressentimento domine o coração. Jesus reconhece que as falhas existem, que as pessoas erram — inclusive repetidas vezes. Ainda assim, Ele propõe um caminho que rompe o ciclo da violência emocional: o arrependimento sincero e o perdão constante.

Perdoar “sete vezes no dia” não significa ignorar a dor ou fingir que nada aconteceu, mas escolher o amor acima do orgulho, a paz acima do desejo de vingança. Em um mundo marcado por intolerância, divisões e julgamentos rápidos, o perdão se torna um ato revolucionário. Ele cura relações, restaura famílias e devolve leveza à alma.

Neste Natal, o convite é claro: permitir que o amor que nasceu em Belém encontre espaço em nossos gestos cotidianos. Perdoar não é fraqueza; é força. Amar não é esquecer limites; é lembrar que a paz começa quando o coração se dispõe a recomeçar.

Que o nascimento de Cristo nos inspire a sermos mais pacientes, mais humanos e mais compassivos. Que o perdão seja a ponte para a paz, e que o amor continue sendo o maior presente que podemos oferecer uns aos outros. 

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

DIA DE FORMATURA

Os alunos estavam todos lá, com raras exceções. Eram dezenas, vindos de cinco ou seis escolas diferentes. O ambiente fervilhava: faziam barulho, reclamavam, brincavam, sorriam, inquietos, como se soubessem que aqueles eram os últimos momentos de uma etapa.  

De repente, começou. Do início ao fim havia o tempo de sentar, de ouvir, de prestar atenção. Mas eles continuavam da mesma forma: entre discursos da mesa de autoridades e apresentações de colegas, a maioria conversava alto, gargalhava, aproveitava cada instante com o celular que, na sala de aula, era proibido.  

O tempo passava, como a vida que passa. E lembrava os versos de Carlos Drummond de Andrade:  

"E agora, José?  

A festa acabou,  

a luz apagou,  

o povo sumiu..."

Assim, entre risos e distrações, a cerimônia seguiu seu curso. No final, o local do evento ficou tal qual uma sala de aula ao fim do dia: cadeiras fora do lugar, papéis esquecidos, ecos de vozes ainda pairando no ar — e a sensação de que aquele capítulo havia se encerrado, mas a história apenas começava.